sábado, 11 de maio de 2013

A ressurreição da cinta-liga



Há muitos e muitos assuntos que eu poderia escolher para recomeçar/atualizar a escrita neste blog. Porém o título surge como uma resposta ao questionamento que recebi hoje: Você usaria cinta-liga?  De imediato, lembrei a primeira vez que a usei: com meu primeiro namorado, há pelo menos mais de uma década. Tentei refazer os cálculos gravitacionais que habitaram esse tempo e os destroços que em mim causaram... A primeira imagem atualizada refletiu-se em forma de riso, me senti ridícula ao me imaginar dentro de uma, hoje. Porém, depois, pensando neste sentir-se ridícula, pensei... ridícula serei se continuar rindo de minha realidade.
De fato, várias pessoas me julgarão por essa escrita, porém o que tenho para dizer a elas é: fodam-se. Estou aqui para quem em mim consegue ver beleza, em corpo e alma. E se eu não for uma delas... quem estará fudida serei eu...
Assim serve para todos os outros elos que me formam Renata. Conversando com meu pai, sobre a decadência educacional e mostrando-lhe minha revolta, ele me diz: “Tu só irás te estressar e não resolverás nada. Faz o que querem que tu faças e tudo fica bem.” Desculpa, pai, mas nãooooooooooooooo. Se além de cinta-liga, tiver que usar um chicotinho para balançar os estudantes que por mim passarem, assim farei! Não admito render-me às calçolas de quem já desistiu de sentir prazer. Não admito vivenciar a escola sem sentir-me viva e atuante em meus propósitos e quereres.
Na última segunda-feira, defendi minha dissertação, e fui prejudicada, em termos de conceito final (B) porque respondi às questões levantadas pela banca por experiências vividas em campo, no decorrer da pesquisa, e não com teoria... sinceramente, foi o B mais feliz de toda minha vida acadêmica. Que bom que ainda tenho em mim, a prática acima da teoria, o acreditar que a Utopia acontecerá e não somente ficar olhando o horizonte que se transforma... Sim, foi um B merecido e muito bem recebido...
Ainda, ontem visitei um amigo que teve diagnosticado câncer. Ele me falou: “a gente se dá conta de que viver é muito prático. Ou a gente quer viver ou a gente morre.”
É isso, eu estava morrendo novamente. E foi Neruda quem veio me acordar para cuspir hoje, depois de todas estas experiências que tive. Disse-me ele: 

Morre lentamente quem não viaja
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente, 
Quem destrói seu amor próprio
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente, 
Quem se transforma em escravo do hábito, 
Repetindo todos os dias os mesmos trajetos,

Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor,
Ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente,
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções,
Justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
E os corações aos tropeços.

Morre lentamente,
Quem não vira a mesa quando está infeliz,
Com o seu trabalho, ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto,
Para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos…

Ressuscitei!
Depois de um tempo mumificada, aqui estou de novo, Renascida, conforme o próprio nome já diz!



sábado, 21 de julho de 2012

Quintaneando o Mário Dali



E quando se vê já são seis horas...
E quando se vê já é hora de acordar, correr, pintar, descabelar, lavar. Vestir a máscara, pegar o jornal, fechar o portão e 1,2,3... gravando! A cena da vida está começando... ou será terminando? A rotina te faz menos... te transforma em uma função, adequação, razão, equação.
Quando se vê já são sete horas,
O ônibus ainda não chegou, o trânsito já canta com suas buzinas, aceleradas e freiadas. Grito de dor ou prazer? O motorista sorri, o cobrador automaticamente, junto com o troco, dá o bom dia, passageiros veem passar, passar, passar...
Quando se vê já são dez horas,
O pânico e estresse do ‘ter que dar certo’, do mostrar que somos máquinas perfeitas e que vencemos todas as adversidades que o sistema capitalista impõe pra ser cada vez mais rigoroso, competitivo, frio e sádico.
Quando se vê já são meio dia,
A comida desce, os passos levam e trazem automaticamente, o telefone diminui um pouco a solidão no meio de tanta gente-máquina, ou maquina-gente? O chocolate - no doce de viver -  o café - no quente de sentir -, o chimarrão - no gosto de compartilhar: a cumplicidade do excêntrico, do diferente àquele lugar.
Quando se vê já são dezessete horas,
A cobrança aumenta, os olhos secam, a garganta xinga, magoa, fere e reduz. A inteligência reproduz a burrice, o telefone mente, engana e ilude.
Quando se vê já são dezoito horas,
Já é hora de pegar no giz, de sonhar com um futuro melhor, almejando a mudança, o avanço, o sonho; a utopia continua,
Quando se vê são vinte horas,
Os pés cansam, as mãos anseiam o quadro, os olhos outros olhos, o sorriso a esperança.
Quando se vê já são vinte e duas horas,
As luzes do corredor se acendem, os pés se guiam àquela porta que os levou à cena, bolsa largada, corpo espalhado, paredes vazias, nem os negões batucam mais. Fim de espetáculo, porque daqui a pouco, novamente, já serão seis horas e a certeza que fica é que 'A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.'



terça-feira, 20 de março de 2012

O Jardim Botânico


Mais um dia de grande cansaço no escritório. O chefe com seu bigode e barriga insuportáveis, os colegas cínicos, as colegas concorrentes. A violeta que decora a minha mesa, também alegra o meu trabalho.
Olho para o relógio desesperadamente e meu entusiasmo se dá quando os ponteiros me mostram o chegar das dezoito horas. Encerro o expediente e a falsidade que sustenta o meu viver nesta selva de pedras.
Passo pelos meus companheiros diários: a menina de radinho na mão escutando funk, a senhora com seu cão em busca de uma companhia, o senhor do chapéu baixo, o guri do chapéu alto. São pessoas que, assim como a mercearia de Seu Cristovão ou a padaria da Dona Joana, compõem a minha trajetória até em casa. Vendo-os me sinto parte de um todo e pergunto-me: Será que os outros fragmentos deste todo são tão solitários quanto eu?
Chego em casa, abro meu portão e encerro-me do mundo. Minha prisão, meu calabouço à espera de um príncipe encantado? Subo as escadas para evitar o elevador e me oportunizar o encontro inesperado que espero a tanto tempo em uma das curvas de minha vida. Chego à minha porta tão só e desiludida como sempre estou. O barulho da chave sacudindo de felicidade em abri-la é o mesmo ao fechá-la.
Abro a janela em busca de um pouco de companhia. Mesmo que seja, ao longe, e do mundo; dos carros, aviões, metrôs. Mesmo que não seja nenhum deles direcionado a mim. Sinto-os como meus. Peço descanso, pois canso de ser sozinha. O crepúsculo enfim chega e com ele um pouco mais de sossego. A cidade se prepara para dormir. Depois do banho, enrolada na toalha ainda, faço meu chá de camomila e antes de me deitar, percebo que esqueci a janela aberta. Vou até ela, e respiro o último suspiro da noite. Quando abro os olhos percebo no prédio ao lado outra luz acessa, com uma sombra que me olha. Observo-o discretamente e percebo que também está solitário como eu. Com sua xícara na mão, idealizo que ele escuta Tom Zé ou ainda Fabiana Cozza; nada muito romântico, mas sim, que venha de dentro.
Finalmente, nossos olhares se cruzam e antes do sorriso, um profundo silenciar de respiração. Por alguns instantes, ele some. E quanto estou quase fechando a janela, percebo seu corpo a uma discreta longitude de meu olhar, sem a camisa. Sem pensar, não sai do lugar, não pisquei e nem bebi o chá. Fiquei imóvel, semimorta, à espera de seus próximos movimentos, segurando a toalha. Ele provavelmente, me observava, pois sabendo-me voyeur dele em seu solitário prazer, aproximou-se da janela, como se estivesse ao telefone, e de costas começou a tirar as calças, bem devagar.
Ao se virar, sua cueca boxer, clara, deixava transparecer nitidamente sua ereção e excitação. Ele continuava no telefone e quando me olhou diretamente, coincidentemente meu telefone tocou. Deixei cair a toalha, de nervosa, e ao atender, minha mãe diz que vem me visitar no final de semana, trazendo a avó para passear.
Volto à janela e olho novamente. Nada além do Jardim Botânico, meu vizinho, e seu completo isolamento e escuridão.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Querem audiência?

Hoje recebi um email de minha mãe, ISTO MESMO, minha mãe, PROPAGANDO um site diferente de religião que ela segue. pensei: poxa, se até a mãe não concorda com o que que tu faz, ou é muito ruim ou é  muiito bom....Resolvi acredittar na vitória do muiito bom, e com isso espero a resposta das Deyques, Daianes, Rogérios, Batistas, Simones, Anas, Carlas, Mateus's, Tatianes, Helenas, Goulard's e tantos outros que me incentivaram a ser como sou hoje. Não coloco a minha culpa neles, muiito menos em minha família, antes  disso;  queria dividir o aluguel, a luz, a net, a ração do Ikopórã com vocês. Digo que cada um de vocês, por mais que nunca vejam esse ensait, como a Josi Munhoz que tanto me fez  chorar noites em vão, são importantes na minha constituição e resistência enquanto  cidadã.  Obrigada pelo sorriso, e desculpa se até aqui não consegui dividir contigo(sigo) nenhuma sensação.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Nada de novo no Front

Hoje apresentei um seminário sobre Nada de novo no Front – Erick Maria Remarque - a obra trata de um grupo de estudantes alemães de 19 anos, em média, que se alistam para a Primeira Guerra. Porém, essa frase de impacto é-nos apresentada ao final da narrativa quando o narrador-personagem (último dos sete colegas) “tomba na linha de frente”.
Pensando nos últimos acontecimentos de minha vida, e a leitura do livro faz parte deles, relaciono o que tenho vivido com as experiências narradas pelo personagem Paul, o narrador. Ele se assume como alguém sem futuro, já que não tem uma profissão e não há uma família que o espere. Pais e irmãos já não são motivos para se manter vivo na linha de frente. Partindo dessa metáfora, penso: o que me mantém viva? Tenho mais de dez anos de diferenças deste adolescente e posso vincular-me ao mesmo raciocínio. Meus pais e irmãs são ouro em minha vida, mas não são o motivo que me mantém na linha de frente de minha batalha, e ainda em pé. Se eu disser que vivo para o estudo, como muitas pessoas pensam, estarei mentindo, é evidente que também não vivo para acumular bens – chega a ser engraçado pensar isso – não vivo pensando em constituir uma família, nem plantar árvores, e quem sabe um dia lançar um livro... porém também não é esse o motivo de minha vida. Afinal, o que me mantém viva?
Acho que a resposta veio em forma de perguntas, ontem, quando conversava com um amigo com o mesmo dilema de caminhos a percorrer. Estou viva para me constituir. E “na medida do possível,  procuramos adaptar-nos da melhor forma às situações que surgem, aproveitando todas as oportunidades e passando diretamente, sem transição, dos estremecimentos de horror às piadas mais tolas. Não podemos agir de outra forma, é assim que nos encorajamos.” (Remarque: 1974, 189)
É isso, as tentativas de ataques de nossos inimigos – pessoas e/ou situações que te magoam, maltratam, humilham, ridicularizam só serão vencidas se conseguirmos chegar às piadas tolas, pois se há o horror, não se pode valorizá-lo ainda mais, é necessário dissimulá-lo até que ele já não exista. Até que e transforme em apenas uma lembrança a mais de todo o nosso repertório de existência.
Nos últimos meses, encontrei pessoas que me julgaram sem conhecer verdadeiramente, que fingiram ser o que não eram por uma situação vil e ridícula, que fugiram disfarçadas de outrem para não encarar um diálogo sincero... essas situações me enfraqueceram, me fizera chorar, me ferem ainda hoje, diante da realidade que me levaram, porém eu sei que estou apenas na linha de frente e que aqui não é meu lugar permanente. Estou em luta e manter a seriedade e vida é o objetivo.
Então, a única arma que encontro para enfrentar essas situações é o riso. Normalmente, quem te proporciona este armamento são as outras pessoas, aquelas que voltam ao campo de batalha para te buscar e apoiar, e que a palavra amigo perde o sentido quando colocada do lado do companheiro. Este mesmo companheiro que volta porque sabe o horror que é estar sozinho e perdido no meio da guerra, é que será o responsável por achar motivos para que os dois possam, posteriormente, rir – e muito – da situação enfrentada.
Ao final, quando já outras batalhas tiverem sido vencidas, ambos companheiros, rindo, lembraram : " - Afinal, não há nada de novo no Front." 

sábado, 6 de agosto de 2011

Mulher e Literatura

Queria, mas não tenho como, dar conta de tudo que me acomete neste momento no que se refere ao Mulheres e Literatura, ocorrido em Brasília nos últimos dias. Fica o registro:

06/08/2011
20:56:52
Guga
Renata Avila Troca
tá feliz por se descobrir louca?!
06/08/2011
20:56:57
Renata Avila Troca
Guga
sim
06/08/2011
20:56:59
Renata Avila Troca
Guga
rsrsrsrs
06/08/2011
20:57:02
Renata Avila Troca
Guga
euu
06/08/2011
20:57:07
Renata Avila Troca
Guga
obrigada
06/08/2011
20:57:12
Guga
Renata Avila Troca
minha nossa! É o primeiro sintoma da loucura!
06/08/2011
20:57:39
Guga
Renata Avila Troca
ou o último?!
06/08/2011
20:57:49
Renata Avila Troca
Guga
sei lá,
06/08/2011
20:57:55
Renata Avila Troca
Guga
mas hj to mto feliz

Guga, é um amigo-irmão-marido que acompanha um grande e doloroso processo de descoberta e redescoberta  meu. E ele entende natural e felizmente quando digo que estou feliz por me descobrir louca. Louca por ter uma cor clara, e me declarar negra; louca por ter uma linha partidária na família e não me posicionar de forma alguma contra, nem muito menos a favor, enfim, quando o partido for unido talvez faça algum sentido político... Louca por abandonar um lar por um dar. Louca por me permitir ser, sem saber ao certo o que sou. 
No entanto, essa loucura foi acentuada e registrada neste dia, 06/08/11, porque registra o término do Seminário Mulher e Literatura (XIV Nacional e V Internacional). Disse-me Ele (assim como outros grandes amigos, colegas, companheiros, sonhadores, familiares e curiosos apenas) que queria saber o que eu andei aprontando aqui em Brasília onde me localizo no momento em que escrevo essas linhas.
Antes, porém, de dizer o que andei aprontando, quero dizer o que andei conhecendo.

Conheci, e aprendi a admirar, antes de tudo, uma mulher. Um sorriso, um olhar, um abraçar e confiar. Givânia. Este nome marca a minha história. Uma Renata Negra, nascida em Recife, filha dos Quilombos. Voz dos quilombolas, sonho dos negros e negras que assim como ela, exigem respeito por seus direitos constitucionais. Esta mulher me deu não somente a moradia, mas ensinamento do que é ser negro no Brasil, do que é ser solidário no Brasil; do que deveria ser brasileiro dentro e fora do Brasil.
Conheci vozes negras, há muito escondidas pelas burocracias literárias: Rosária, Fátima, Odete Semedo, Vera Duarte, Sonia Sultuane, Esmeralda Ribeiro, Lia Vieira, Geni Guimarães, Cristiane Sobral, Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Miriam Alves, Madu – que se perdeu e se achou nos caminhos desta literatura junto comigo. Conheci pesquisas, sonhos, viagens, escritas, vozes, performances, lutas, revoluções, reivindicações, preconceitos, forças, gritos e SIM onde se queria ouvir não.

Encontrei lágrimas de sangue de irmãs africanas que não sabia que continha em meus poros tão claros e encontrei em meus cachos o sorriso de lisos reprimidos em cabeças escuras. Encontrei cinema, teatro, música, brumas de uma ilha não tão distante. Encontrei Laura que Cavalga e é brilhante.


Não encontrei Tavares, a quem vim buscar. Mas encontrei o remorso, e agora com S, de ter esquecido aquele que muitas vezes já o foi. Encantei-me pela oportunidade de estar frente a frente com a autora angolana, e deixei de lado aquele que tem andado lado a lado comigo. Seu Beto, aquele que tem sido minha bandeira, meu grito, meu lamento e orgulho. Meu eu violento, masculino e machista. Meu eu revolucionário e cheio de defeitos, loucuras e medos.

Foi porém, após o aprendizado de ver a velha negra, Conceição, levantar a cabeça e dizer: Batam palmas, porque este é o nosso momento e o merecemos, Foi porém após ter cantado “Olha o Combo”, Foi porém, após ter chorado com Odete Semedo, Foi porém após ter viajado com as palavras de  Sonia Sultuane, Foi porém após ter conversado com a professora Edileusa Souza que aprendi que as insubmissas lágrimas de mulher não verão mais o chão.

Guga, estou pronta para Guerra. Armada com as armas de Tettamanzy; o que me são suficientes para enfrentar as próximas limitações que tentarão  - em vão – calar a mim,  a Seu Beto e a  todas as outras Poéticas Orais.

Então, o que aprontei aqui, foi mais ou menos isso: sabe aquelas crianças mutiladas, aquelas circuncisões femininas, aqueles lugares negados no emprego, o olhar desconfiado no ônibus... pois é, é mais ou menos isso que andei devolvendo em minha performance durante os meus maiores e melhores quinze minutos de intensa fama. 

Agora, guardo a mateira e me preparo para voltar ao RS... minha Pasárgada de sorriso estampado e coração alargado de tanta emoção.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Chuva


Li um poema ruim agora... ele falava que a chuva é formada de lágrimas de desaprovação de deus pelo que estamos fazendo com o mundo. Critiquei o moralismo existente. Não devemos julgar nada nem ninguém, apenas cuidar de nossa parte. Não sei se o autor dele separa o lixo, ou ajuda aos velhinhos a atravessar a rua, também não me interessa isso. O que interessa é que todos nós estamos mergulhados em defeitos, fraquezas e completo abandono.
Defeitos que talvez nem percebamos, ou que queremos nos manter cegos para não enxergá-los. Ou ainda, temo-los nos olhos dos outros e que jamais seremos capazes de vê-los refletidos no espelho de nossa outra metade da alteridade. Defeitos que transformam e excluem nossas qualidades e virtudes. Que fazem com que nossos sorrisos cessem e na volta dos lábios se criem rugas.
Fraquezas por não aceitar que temos tantos e tão graves defeitos. Fraquezas de saber que nossas escolhas nem sempre são as certas, e que, às vezes, mesmo tentando acertar temos como alvo o erro. Fraquezas de não saber cumprir o que a razão nos ensina. Fraquezas que nos transformam em sujeitos com cada vez mais e mais defeitos. Mas são fraquezas que acima de tudo nos transformam em sujeitos.
Abandono. Pois eu não existo longe do outro. Sou um cão escondido em meus pêlos molhados num dia chuvoso que chora baixinho a minha solidão. Mas que ainda assim, esse choro carrega a esperança de chegar a um outro que venha em minha direção. Que não veja um ser fedido, ou um animal raivoso, ou ainda um contaminador de ambientes saudáveis e felizes como o é todo aquele lugar em que nunca estive.
Esse cão chora também aqui debaixo da minha cama, no corredor de meu prédio, na esquina de minha quadra, no banco do motorista e também do cobrador dos ônibus que utilizo diariamente. Esse mesmo cão está presente na pessoa que senta ao meu lado no ônibus, como naquela que fica em pé segurando o peso de seu futuro materializado em páginas e páginas. Ele também está naquele cego que mescla chicles da Clarice, como nas mulheres de guerra de Tavares. Nos catadores de lixo amigos, e inimigos, de Seu Beto, como no olhar da Joana pedindo pandorga.
Estejamos todos nós preparados para os dias de chuva, com seus milhares de cães presentes em nossos espelhos.
Nossa alteridade; talvez seja isso que as gotas de chuva esparramam em nosso caminho, nas janelas de nossas casas e também dos automóveis que nos carregam, sem mesmo olharmos as pessoas que estão conosco, nos bancos da frente ou de traz, no guarda-chuva fechado... e talvez também seja por isso que tanta gente foge daquele banho “abençoado” de chuva... reclamando quando molha o cabelo, as mãos, os pés... isso porque chegando em nossa matéria física, essa alteridade torna-se mais próxima de nossa alma.

quinta-feira, 24 de março de 2011


Não consigo lembrar ao certo como foi que isso aconteceu... apenas tornou-se ato, laço, aço, dedo e coração. Olhar que fala, sorriso que chora, braço que caminha, cabelo que entrelaça, mãos que dançam. O inverso e ao mesmo tempo o complemento. O diferente tão igual. O julgamento certeiro, achando que está errando. O conceito desconceituado. O abraço perdido numa esquina e encontrado num bar. O saber e o descobrir, o querer e o pudor. Sem saber, apenas sendo. Ele ela! ela ele! ele ele! ela ela! El@.

Elementos naturais, habitat’s, sentimentos, quereres, desprazeres tão prazerosos.

Caminhar, correr, pular, fingir que não viu e atalhar; cair e retornar ao caminho. Medo de seguir, a mão que empurra, que levanta, que aponta e diz: é lá, se fores, te apoio, se ficares, também! Enquanto não decides, que tal um vinho?

Ela, a velha, a experiente, a chata! Ele: o novo, o aprendiz, o chato!

O aprendiz experiente, a experiente aprendiz. A nova velha, a velha nova, O novo, velho conhecido, novo conhecedor... Chat@s por tanto se protegerem, se quererem, se pertencerem.

- “Diriges como um homem, bebes como um homem, transas como um homem”

-“ Já andasse comigo, já bebesse comigo, mas já transasse comigo?”

O que a intimidade faz com as pessoas! Lá vai:

- “Diriges como uma mulher, bebes como uma mulher, transas como uma mulher”

-“ Já andasse comigo, já bebesse comigo, mas já transasse comigo?”

O que a intimidade faz com as pessoas! Gostasse? Não?! Eu adorei!!!!!!!!!!!!!! Rsrsrsrsrsrs

Amigos, a família que se escolheu!

É buzinar, subir e confiar. É ligar e dizer: Sou bixo, queria que fosses a primeira a saber!

É desligar o telefone, rindo e as paredes opacas como os sorrisos, não entenderem o que isso significou... É beber e querer fugir. É xingar e não ir. É emprestar o ombro, a moto, o pala. É ouvir de crianças inocentes e de adultos aborrecentes o mesmo comentário malicioso sobre homens e mulheres.

É estar em uma sexta, à noite, cansada de ser tão nostálgica, comento uma massa com salsinha com Polar, escutando Adriana e ser importunada nessa desarmonia tão perfeita pelo “chamar a atenção”... é sentir a dor na coluna diminuir, o sorriso se abrir, o olho lagrimejar. Vontade de apertar, de gritar: te amo, de estar perto, de chamar: safadinhoooooo

Lembrar o que é o amor, o que é paz, o que é o bem-querer. Lembrar de tempos que não voltam, mas que constroem os que virão.

É lembrar do cigarro, da bagana, de Caio, de Clarice, de Teoria, de Produção, de Texto, de livros....iiihhhhh a renovação! É confiar a senha, o olhar, o segredo e o seu desvendar. É contar, sem querer, é chorar querendo rir, é amar odiar.

A morte como um risco, a vida como um raio de sol. A família, eis que há afinal.

A metáfora diz o que não é pra dizer, o dizer não diz o que se tem que dizer. Entrelinhas que tanto enredam, o nó que facilmente se abre.

Dois novos mundos, respectivamente, se abrem. Um intelectual, outro geográfico. Um intelectual que almeja europetizar, um geográfico que almeja bachelardiar. Simbologias e significados tão seus e tão de ninguém.

Enquanto o copo esvazia, a alma aquece nesta noite fria, a lua aparece, o telefone continua sem tocar, mas o sorriso de cá é o mesmo de lá.

Acaba-se a música, a cerveja, a página. Mas são infinitos os dedos que dançam no teclado, os olhos que se procuram na tela morta, o pensamento entrecruzado.

Noites diferentes, com diferentes quereres e destinos, mas ao amanhecer, o saber-se juntos, mesmo sem explicar como nem por que.

Eis um muito obrigada por ser tão meu assim, por ser tão safadinho assim, por ser tão Diego, enfim. Amo saber que te amo!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Mateus e Carla

Depois de tanto tempo sem escrever aqui, venho homenagear duas pessoas que tenho o maior orgulho de ter conhecido. Mesmo tendo acontecido inúmeras coisas boas, ruins, marcantes ou nem tanto comigo, minha família e outros amigos. Acho extremamente necessário a mim, a eles e a quem acha que se aprende com as experiências alheias aqui relatar o que aprendi.

Para quem não sabe, comecei a me virar aqui em Porto Alegre com aulas particulares. Meus grandes e principais – economicamente falando – alunos são interessados em Concursos Públicos. O primeiro deles, é um dos personagens de quem aqui homenageio. Marcamos a aula pelo telefone, e depois de ter passado a euforia de ter conseguido meu primeiro aluno, lembrei-me que não teria cadeiras para poder dar a tal aula. Pedi emprestadas, duas, a meu primo (que ainda não devolvi, e acho que não devolverei mais). Ele ficou de encaminhá-las até as 18h e a aula era às 19h de uma segunda-feira.

Bom, o Mateus, meu aluno, chegou e eu não tinha cadeiras. Expliquei a situação e começamos a aula no sofá; ou melhor, tentamos começá-la, pois conforme sentamos, meu sofá quebrou e nós dois caímos. Tentei cavare entrar um buraco, mas meu cabelo trancou... risos...

Mateus, comovido com a minha situação disse: 'o bom disso, é que essas relações deixam de ser diplomáticas...' Acho que ele já previa o quanto de amizade estava surgindo naquele dia. Alguns momentos após este incidente, o encarregado por trazer as cadeiras chega, trazendo também uma geladeira e um fogão, emprestados – e também ainda não devolvidos – pelo mesmo primo – Ângelo. Acho que vocês já imaginam quem carregou esses eletros até o terceiro andar, onde moro, né?

O que tenho pra contar depois disso tudo? Diferente do que pensei, Mateus voltou à minha casa e continuamos tendo aula, agora com cadeiras e algumas brindadas a cervejas nos últimos momentos.

Em um sábado à tarde, em que faríamos mais de cinco horas corridas, ele me propôs que eu fosse à casa de sua avó, onde ficaria mais à vontade, e eu conheceria um pouco mais a sua namorada Carla, já a mim anteriormente apresentada. Assim fizemos. Neste mesmo dia, teve um aniversário na casa da mãe do Mateus, e que eu acabei sendo convidada; um pouco por compaixão, solidariedade e muito pela confiança na amizade que cada vez mais se fortificava. A família dele é extremamente fantástica, sua mãe ímpar, e este dia foi, no mínimo, inesquecível.

Assim, Carla foi começando a ser por mim conhecida cada vez mais. Deixamos as aulas e continuamos com as cervejas, conheci o Marinho e seu bar, as histórias de vidas e sonhos de Carla eram cada vez mais íntimas e nós duas nos dávamos conta do quanto somos/éramos diferentes.

Um dia, ela me disse: “Renata, tu trata os caras que tens interesse da mesma forma que tratas teus amigos. Deixa eles fazerem a parte deles também na relação.” Isso enquanto caminhávamos, pela Ipiranga com destino ao pôr-do-sol do Guaíba. Talvez ela não tenha noção do quanto essa primeira fala/ensinamento marcou em mim. Dias depois, estávamos os três bebendo aqui em casa, e ela escreveu o que por um bom tempo deixei anexado à geladeira emprestada e pelo Mateus carregada, o que considerei um manual para uma nova forma de ser. Ontem exatamente decidi tirá-lo de lá, por considerar ser um ensinamento já aprendido.

Estive em falha com ela, nesta última semana.

Hoje, Mateus e Carla moram em Gramado, onde tentam reconstruir suas vidas, a partir do que têm e sabem. Aquele longo caminho de um casal que recém tá começando a aprender caminhar de mãos dadas.

Sexta-feira liguei pra Carla, quando estava em um ônibus e percebi que ela não estava bem. Fiquei de retornar a ligação à noite, de casa. Passou sexta, sábado, domingo e eu não liguei. Agora, domingo à noite, recebo uma ligação dela, dizendo que está muito feliz por ter conseguido um novo emprego e que ela sabe que eu me divirto com as situações por ela enfrentadas atualmente.

Lógico que ela estava bêbada, e quando perguntei isso, obtive como resposta: “Tu não acha que vou lembrar de te ligar quanto estiver rezando, né, Renata?” rsrsrsrs

Abaixo seguem fotos de uma tentativa da Carla em lavar roupa, meses atrás:


Depois de muitas risadas, tentei explicar pra ela e pra mim, o porquê realmente sinto prazer quando ela me conta as situações que está enfrentando. Carla é uma pessoa que teve a sorte de nunca precisar passar “muito” trabalho na vida. Hoje, ela vê a falta que faz um tanque, um mochinho, um liquinho de gás que seja. E mais que isso, ela sabe que daqui a pouco isso tudo vai passar, e o que ficarão, além das risadas, serão somente os ensinamentos obtidos nessa fase dolorida, mas necessária. Acho que as pessoas que convivem com ela, notam muito mais o quanto ela  cresceu e o quanto ela (além de nós) se ama e se orgulha da pessoa que se tornou, mesmo estando ainda em metamorfose.

Mateus, o homem mais apaixonado que conheci, sei que está esperando a maré baixar para contabilizar os peixes que conseguirá pescar. Todo pescador só sabe que é depois das tormentas que vêm os melhores peixes. Não tenho dúvidas de que este casal será mais vitorioso do que já é.

Fica aqui o meu muito obrigada por me deixarem repartir da amizade de vocês; pelos ensinamentos, risadas, bebidas, conselhos, ombros, crenças, promessas, sonhos, decepções, caminhadas divididas e fortalecidas com o passar do tempo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010


Parabéns a todos nós.


Nós que sabemos o quanto reclamam de nós e mesmo assim, estamos lá:

Nós que sentimos o peso dos livros, necessários e desnecessários, mas estamos lá;

Nós que chegamos à sala, e para muitos não chegamos, mas o sorriso Daquele vale chegar;

Nós que deixamos à família em prol da educação de outras famílias;

Nós que educamos e não regramos;

Nós que aprendemos na mesma medida que ensinamos;

Nós que criticamos e somos criticados;

Nós que reclamamos e somos reclamados;

Nós que vinte horas é uma piada;

Nós que temos como requisito básico suportar o estresse;

Nós que somos injuriados por fraquezas pessoais, as quais o preconceito social nos faz parecer fracos;

Nós que somos afastados, por aparentar “perigo” aos alunos, mas que estes mesmos alunos nos procuram perguntando “por que o sumiço?”

Nós que temos que deixar os sonhos arquivados para regimentar o cronograma e matar os ideais;

Nós que temos a Utopia como formadora, mas que vemos transformar-se Paideia, Paiet’s, Furg...verba!

Nós que temos ônibus, cansaço, pés, pernas, colunas, olhos, cabeça inchados e exaustos, mas o sorriso no rosto à vitória de um aluno;

Viva a nós, anônimos nós, necessários nós, eternos e orgulhosos de sermos apenas nós!

E claro, obrigada a todos vocês que me fizeram ser parte deste Nós hoje, com a convicção, realidade e orgulho de saber que nunca o quero deixar de ser.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Queria nao sentir o que nao quero sentir... mas que me fazem sentir...
Queria nao ser o que não sou... mas me fazem ser
Queria nao chorar o que nao sofro... mas me fazem sofrer
Queria nao saber o que sei... mas que nao consigo esconder...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Baleia ou Sereia?


*Ontem vi um outdoor da Runner**, com a foto de uma moça 'escultural' de biquíni e a frase:

"Neste verão, qual você quer ser? Sereia ou Baleia?"

Respondo: Baleias sempre estão cercadas de amigos. Baleias engravidam e têm filhotinhos fofos. Baleias amamentam.

Baleias nadam por aí, cortando os mares e conhecendo lugares legais como as banquisas de gelo da Antártida e os recifes de coral da Polinésia.

Baleias têm amigos golfinhos. Baleias comem camarão à beça. Baleias esguicham água e brincam muito. Baleias cantam muito bem e têm até CDs gravados.

Baleias são enormes e quase não têm predadores naturais.

Baleias são bem resolvidas, lindas e amadas.

Sereias não existem. Se existissem viveriam em crise existencial:

Sou um peixe ou um ser humano? Não tem filhos pois matam os homem que se encantam com sua beleza. São lindas mas tristes e sempre solitárias...

Runner, querida, prefiro ser baleia!"


*Texto enviando para uma academia. Autor (a) desconhecido (a)

**Academia de ginástica

Disponível em http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/index.asp?token=EDAE0D1B-A8B9-44B3-97E5-F46300ED48B6&usr=pub&id_projeto=27&ID_OBJETO=112703&ID_PAI=107174&tipo=tre&cp=BF0000&cb=&disciplina=Filosofia&nivel_ensino=Ensino%20M%C3%A9dio&recurso=Textos%20para%20alunos&modo=exibir&n1=&n2=Sistema%20de%20Troca%20de%20Recursos%20Educacionais&n3=Ensino%20M%C3%A9dio&n4=Filosofia&b=s acesso em 21 set 2010.
 
Texto bom para nós "baleias" lermos perto do verão... rsrsrsrs
E então? O que há afinal? Por que essa angústia? Qual a falta? Ou será a sobra? Você sabe do que reclama? Por que reclama? Como se originou? O que pode ser feito para solucioná-lo? Você quer, realmente, solucioná-lo? Viajar? Dizem que é sempre um bom remédio, concordas? Mas também, as viagens sem sair do lugar podem ser muito mais proveitosas, não achas? Quê, não entendes do que falo? E é preciso entendimento? Talvez, a fala seja um dos métodos de resolução, ou não? Ou quem sabe se talvez as palavras e a força natural que carregam sejam as precussoras de todos os problemas? Ah, a vida é uma eterna interrogação, não concordas?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O enigma

Talvez com medo da escuridão a maior parte das pessoas prefiram não descobrir o que ela pode oferecer. Por acreditarem que a claridade é o melhor, deduzem que na escuridão está o pior. Não acredito nisso. Acho que na escuridão é onde vive o enigma. Se não fosse a escuridão não existiriam o mistério, o segredo, o disfarce e o não dizer. É na escuridão que habitam os melhores sentimentos: o amor é claro? A saudade o é? O estar junto? A felicidade?

Enquanto TNT me diz que quem procura acha, lembro de Clarice Lispector que diz que enquanto tiver perguntas e não houver respostas, continuará a escrever. Por que a escrita esconde as respostas? Ora, a escrita nada mais é do que a escuridão. Pra que ela exista, ou o seu fundo é negro, ou ela própria o é. Quantas mil fotos existem de pessoas que adoram tirar fotos diante à sua estante pessoal? Por que isso existe? Por que quando alguém pega um trabalho acadêmico, a primeira coisa recomendável a se fazer é ver a bibliografia? Letras, oh enigma que o ser humano inventou. Se eu disser: Je peux être heureux dans l'obscurité!!! A menos que você, ou saiba a língua que falo ou consulte um tradutor, continuo na escuridão de meus pensamentos e quereres.

Por que temos tanto medo de nos mostrarmos? Por que nos assustamos quando nos descobrimos como realmente somos – pelo menos naquele determinado momento ou situação? O enigma é o melhor! É a nossa proteção. Proteção, talvez, de nós mesmos.

Se alguém sabe do que falo ou do que sinto, por favor, não me diga... quero continuar assim... enigmática...

domingo, 22 de agosto de 2010

A você,

Que me acompanha em momentos bons e ruins;

Que me entende com olhar;

Que me sacia com o teu olhar;

Que me faz pensar e repensar;

Que me orgulha ao rever meu passado;

Que me anima ao pensar meu futuro;

Que me dá forças para vivenciar meu presente;

Que finge tão mal, que me deixa bem em pensar que ainda se preocupa;

Que tem tantas outras mil preocupações, mas mesmo assim, sinto-me como uma primordial;

Que meu vestir agride por não ser como de alguém sociavelmente aceito;

Que meu cabelo agride por não ser de alguém sociavelmente aceito;

Que se engordo preocupa por não ser alguém sociavelmente aceito;

Que mesmo não sendo – às vezes – sociavelmente aceita, aceitas-me da maneira que sou e estou;

Que tem uma força única, da qual não consigo descrever, mas que me orgulha tanto;

Que faz e refaz seu mundo tentando se adequar ao meu;

Que me permite ser do jeito que aprendi a ser;

Que escondi minhas primeiras lágrimas de amor;

Que fingiu acreditar nas minhas mentiras;

Que sabia onde me buscar quando fugia de casa “pra sempre”;

Que desbravou a internet quando um oceano nos separava;

Que a dor do parto foi a primeira de tantas outras que te causei;

Que viu meus primeiros dentes nascerem, assim como meus cabelos brancos;

Que lutou bravamente para me dar o presente que tenho hoje.

Mãe, palavras não são suficientes para dizer o quanto me orgulho de ter nascido de ti, e ter em mim, um mínimo de Jussara.

A distância que hoje nos separa não é nada para o tamanho do meu amor por ti.

Só o que me resta: obrigada, obrigada e obrigada!


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Intelectual?




Em discussão com amigos, colegas de grupo de pesquisa, teóricos em seus friamente quentes papeis , pergunto-me: quem é, hoje, o intelectual? Durante muito tempo ele foi classificado como aquele escondido atrás de livros, livros e mais livros. Que não tinha propriamente uma identidade, mas uma teoria. Teoria de Marx, de Darwin, de Einstein, de Foucault, de Bachelard... não interessa a área, e sim a teoria de quem a define. E hoje? Milhares e milhares de pessoas continuam estudando, aprendendo, apreendendo conhecimento e transformando em ciência – exata ou humana. Entro nesta discussão para defender o meu intelectual preferido. Seu Beto. Este ai da foto. Ele faz questao de dizer que tem estudo. Mas não foram os anos que fez em curso técnico de veterinária que me atraem. Sua teoria é muito além de livros. É feita da história viva, vivida, sentida e retratada em seu olhar. Um homem que tem a profissão de catador de lixo e que faz a seguinte metáfora: “O animal é como um homem. O catador é como um sapo. O sapo cata mosca, cata mosquito pra sobreviver. E o homem cata lata,cata plástico, cata vidro pra sobreviver. A sociedade nos despreza, ela tem um grau de hipocrisia, que ela tá sabendo que ela precisa de nós, mas ela nos despreza, mesmo ela precisando de nós. Porque sem nós, eles morariam numa montanha de lixo. Sem nós. E nós, sem o sapo, viveríamos tapados de mosca. Então, este é o nosso papel. Nos catemo pra sociedade burguesa sobreviver, e o sapo cata mosca e inseto pra que eles não nos prejudique. Então, comparando pra sociedade nós somos que nem o sapo. Que pra sociedade é um bicho asqueroso. E pra sociedade, nós também somu comparado com uma coisa asquerosa. Mas é a vida. É a vida, e ela nos ensina a viver assim, e assim que tem que ser. Aceitar o desprezo de alguém, às vezes, menor que a gente. Porque eles são menos útil que a gente, mas a gente tem que aceitar.” (Seu Beto, maio de 2009) ao meu ver é um intelectual. E não apenas porque possui inteligência e sabedoria ao falar. Talvez ele nem saiba o que é“metáfora”. No entanto, intelectual, como bem define Gramsci é aquele que se mistura à massa, que não ó tem, mas como expande a sua conscientização política à sociedade. Aprendi com este homem, que hoje tenho como um verdadeiro Homem (com H maiúsculo) que não nos interessa o núcleo que vivemos ou que temos que suportar. O que é preciso é a capacidade de se mostrar, inteiramente, da forma que se é; eis a Teoria Moreira.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Querer nao querer

É algo um tanto estranho o quanto desejamos não desejar tal coisa ou situação. Desejamos que não tenhamos vontade de beber em uma festa a ponto de fazer mais um fiasco; desejamos não amar demais, a ponto de nos humilhar por alguém que nos ama, apenas o suficiente; desejamos não deixar de ler aquele texto chato que precisamos entender para conseguir elaborar o artigo que necessitamos; desejamos não gastar mais que o limite bancário, mas isso é impossível diante às lojas com promoções, tão desnecessárias e necessárias ao mesmo tempo; desejamos não ter crédito no celular sexta à noite, quando começar a chover e nos lembramos daquele que não está mais aquecendo nossos pés, em dias de chuva; desejamos não desejar ligar, caso tenhamos saldo nesta sexta...
Enfim, e o pior de tudo isso é que depois que a vontade passa, e quando acontece a excessão de termos sedido ao primeiro desejo, ou seja, de nao desejar, vemos que aquilo que parecia impossível, nao é nada, na realidade.
Escrevo isto, hoje, por inúmeros fatores.
O primeiro dele refere-se ao texto aqui em baixo. Só o publiquei agora porque não representa mais nada para mim. Tornou-se um texto que deve ser lido. A pessoa a qual eu escrevi nunca soube de sua existência, e acredito que continuará a não saber... risos... Porém, era um texto, dos milhares que tive em meu PC, com senha. Sempre que coloco senhas em meus textos, elas são superficiais e fáceis de esquecer, porque ao escrever eu extrapolo este sentimento que me angustia e é como se eu conseguisse minimizá-lo. A senha é colocada, então, para que ninguém possa ter acesso a ele, inclusive eu mesma, uma vez que já terei a esquecido.  Este jogo bobo foi feito porque muitas vezes desejei não desejar sentir aquele sentimento arquivado em word novamente. E ao lê-lo dou-lhe vida. Foi o que aconteceu com este aí (que só sobreviveu ao delete porque lembrei da senha), tem uma vida, no entanto, uma nova vida. Não mais depressiva e deprimente como foi à época.
Escrevo também por ter sido, há poucos minutos atrás, testemunha de um grande passo dado por uma amiga. Pediu divórcio de um casamento acabado há tempos. A relutância dela sempre foi desejar não desejar este divórcio, mas quando conseguiu concretizá-lo sua reação foi: "Pior é que eu acho que estou bem...o duro foi o dizer pra ele...tudo me leva a isso, como eu sou bunda mole...já era pra ter feito isso(...)"
Escrevo também porque estou com inúmeros polígrafos em volta, os quais preciso ler e entender para a preparação de uma seleção de mestrado. Desejo não desejar deixar de ler, no entanto, isso sempre acaba acontecendo. Neste exato momento, por exemplo, devia não estar escrevendo e sim lendo-os.

Fazer o quê? Não sei. Realmente não sei. Apenas vou fazendo à medida que sou. Assim, acredito que agimos e pensamos todos nós, nao é?

domingo, 15 de agosto de 2010


Enquanto finges que dormes, finjo que te amo, finjo que te quero, finjo que te desejo. Finjo porque meu corpo não consegue esconder a dor de saber perder-te. Sua distância em sua presença é pior que a ausência. Dor de não ser desejada... sinto-me de novo uma mulher vazia, sem nada além de defeitos. Tirasse-me de um caos, mostrasse-me o quão se pode ser feliz e ao caos me devolves... o que mais dói é saber que você não tem sequer noção do que esta fazendo.
Há muito tempo não tinha o desejo de descobrir defeitos e odores de alguém, você aparece todo imperfeito, se encaixando perfeitamente ao espaço que me faltava e que sequer imaginava que existia.
Queria saber onde errei... talvez em me permitir ser eu... mostrei-te o meu lado mais seguro. Não quis ser uma mulher apenas, quis ser alguém, alguém que tem micose nos pés, cabelos estranhos e um corpo que afasta... mostrei-te um ronco, um chulé, uma porção de cremes que iludem a beleza industrializada. Me inibis na musica, fico muda; encantada, no entanto, assim como Ulisses diante ao canto das sereias, busco uma salvação pra não me deixar levar- ser fiel ao meu destino...se é que eu sei qual é. Vivo-o apenas, e hoje você faz parte dele. Até quando? Quero não pensar no futuro e viver o presente, mas me vejo ridícula agora... tento ser a aventureira que me lembrasse ser na primeira semana que vivemos juntos, no entanto, já não tens paciência pra mim...
Ia ser tão mais fácil se eu conseguisse me envolver com outras pessoas, entregar meu corpo a qualquer outro cara, que espero não ter nome, risada, história, olhar, para assim não correr o risco de tentar te achar nele...
Aff...o que é isso?
Deixe-me, deixe-me, deixe-me apenas sentir-te e não me deixe...não me deixe, não me deixe...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010


Palavras,

assustam, enfeitiçam, aproximam e afastam.

Nunca soube usá-las.

Já me trairam inúmeras vezes.

Por ter a profissão de professora, sou cobrada pelo seu uso correto e adequado.

No entanto, não consigo usar uma máscara para ser professora, para ser amiga, para ser filha, irmã, amante, mulher. Sou assim.

Hoje uma amiga me disse algo que já sabia, mas não queria acreditar.

"Renata, tu lida com teus sentimentos, da mesma forma que lidas com teu profissional."

Não sei dividir-me ou me aceitar em mil. Sou una, sou assim, e nao gosto de o ser.

Acho um grande defeito não saber me adequar às situações e pessoas.

Publico esse desabafo esperando que amigos, principalmente vocês, ao lerem, entendam o porquê de meu agir tão insensato.

Quero desculpar-me pelas incoerências com vocês, comigo mesma e com a gente.

Amo e necessito estar e ser aceita por vocês, e principalmente, por mim.

Por que sismas em me seguir?

Já disse tantas vezes que não te quero.

Incomodas, importunas, preocupas.

Prefiro o outro. Aquele que tenho sempre e tão fácil.

Mas, quando você chega, ele se afasta.

Deixa-me mal, cansada e insatisfeita.

Vai, insônia, vá para longe de mim.

Deixe o sono, meu desejado e querido, vir me abraçar.