Intelectual?
Em discussão com amigos, colegas de grupo de pesquisa, teóricos em seus friamente quentes papeis , pergunto-me: quem é, hoje, o intelectual? Durante muito tempo ele foi classificado como aquele escondido atrás de livros, livros e mais livros. Que não tinha propriamente uma identidade, mas uma teoria. Teoria de Marx, de Darwin, de Einstein, de Foucault, de Bachelard... não interessa a área, e sim a teoria de quem a define. E hoje? Milhares e milhares de pessoas continuam estudando, aprendendo, apreendendo conhecimento e transformando em ciência – exata ou humana. Entro nesta discussão para defender o meu intelectual preferido. Seu Beto. Este ai da foto. Ele faz questao de dizer que tem estudo. Mas não foram os anos que fez em curso técnico de veterinária que me atraem. Sua teoria é muito além de livros. É feita da história viva, vivida, sentida e retratada em seu olhar. Um homem que tem a profissão de catador de lixo e que faz a seguinte metáfora: “O animal é como um homem. O catador é como um sapo. O sapo cata mosca, cata mosquito pra sobreviver. E o homem cata lata,cata plástico, cata vidro pra sobreviver. A sociedade nos despreza, ela tem um grau de hipocrisia, que ela tá sabendo que ela precisa de nós, mas ela nos despreza, mesmo ela precisando de nós. Porque sem nós, eles morariam numa montanha de lixo. Sem nós. E nós, sem o sapo, viveríamos tapados de mosca. Então, este é o nosso papel. Nos catemo pra sociedade burguesa sobreviver, e o sapo cata mosca e inseto pra que eles não nos prejudique. Então, comparando pra sociedade nós somos que nem o sapo. Que pra sociedade é um bicho asqueroso. E pra sociedade, nós também somu comparado com uma coisa asquerosa. Mas é a vida. É a vida, e ela nos ensina a viver assim, e assim que tem que ser. Aceitar o desprezo de alguém, às vezes, menor que a gente. Porque eles são menos útil que a gente, mas a gente tem que aceitar.” (Seu Beto, maio de 2009) ao meu ver é um intelectual. E não apenas porque possui inteligência e sabedoria ao falar. Talvez ele nem saiba o que é“metáfora”. No entanto, intelectual, como bem define Gramsci é aquele que se mistura à massa, que não ó tem, mas como expande a sua conscientização política à sociedade. Aprendi com este homem, que hoje tenho como um verdadeiro Homem (com H maiúsculo) que não nos interessa o núcleo que vivemos ou que temos que suportar. O que é preciso é a capacidade de se mostrar, inteiramente, da forma que se é; eis a Teoria Moreira.
Pretende-se aqui falar de instrospecção. Sentimentos, desejos, medos, quereres e desquereres. É quase um diário, mas a intenção é que seja um espelho. Acredito que tudo que todos nós passamos seja apenas mera e simples repetição, apenas cada um aje e vê da forma que sabe e consegue.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Querer nao querer
É algo um tanto estranho o quanto desejamos não desejar tal coisa ou situação. Desejamos que não tenhamos vontade de beber em uma festa a ponto de fazer mais um fiasco; desejamos não amar demais, a ponto de nos humilhar por alguém que nos ama, apenas o suficiente; desejamos não deixar de ler aquele texto chato que precisamos entender para conseguir elaborar o artigo que necessitamos; desejamos não gastar mais que o limite bancário, mas isso é impossível diante às lojas com promoções, tão desnecessárias e necessárias ao mesmo tempo; desejamos não ter crédito no celular sexta à noite, quando começar a chover e nos lembramos daquele que não está mais aquecendo nossos pés, em dias de chuva; desejamos não desejar ligar, caso tenhamos saldo nesta sexta...
Enfim, e o pior de tudo isso é que depois que a vontade passa, e quando acontece a excessão de termos sedido ao primeiro desejo, ou seja, de nao desejar, vemos que aquilo que parecia impossível, nao é nada, na realidade.
Escrevo isto, hoje, por inúmeros fatores.
O primeiro dele refere-se ao texto aqui em baixo. Só o publiquei agora porque não representa mais nada para mim. Tornou-se um texto que deve ser lido. A pessoa a qual eu escrevi nunca soube de sua existência, e acredito que continuará a não saber... risos... Porém, era um texto, dos milhares que tive em meu PC, com senha. Sempre que coloco senhas em meus textos, elas são superficiais e fáceis de esquecer, porque ao escrever eu extrapolo este sentimento que me angustia e é como se eu conseguisse minimizá-lo. A senha é colocada, então, para que ninguém possa ter acesso a ele, inclusive eu mesma, uma vez que já terei a esquecido. Este jogo bobo foi feito porque muitas vezes desejei não desejar sentir aquele sentimento arquivado em word novamente. E ao lê-lo dou-lhe vida. Foi o que aconteceu com este aí (que só sobreviveu ao delete porque lembrei da senha), tem uma vida, no entanto, uma nova vida. Não mais depressiva e deprimente como foi à época.
Escrevo também por ter sido, há poucos minutos atrás, testemunha de um grande passo dado por uma amiga. Pediu divórcio de um casamento acabado há tempos. A relutância dela sempre foi desejar não desejar este divórcio, mas quando conseguiu concretizá-lo sua reação foi: "Pior é que eu acho que estou bem...o duro foi o dizer pra ele...tudo me leva a isso, como eu sou bunda mole...já era pra ter feito isso(...)"
Escrevo também porque estou com inúmeros polígrafos em volta, os quais preciso ler e entender para a preparação de uma seleção de mestrado. Desejo não desejar deixar de ler, no entanto, isso sempre acaba acontecendo. Neste exato momento, por exemplo, devia não estar escrevendo e sim lendo-os.
Fazer o quê? Não sei. Realmente não sei. Apenas vou fazendo à medida que sou. Assim, acredito que agimos e pensamos todos nós, nao é?
Enfim, e o pior de tudo isso é que depois que a vontade passa, e quando acontece a excessão de termos sedido ao primeiro desejo, ou seja, de nao desejar, vemos que aquilo que parecia impossível, nao é nada, na realidade.
Escrevo isto, hoje, por inúmeros fatores.
O primeiro dele refere-se ao texto aqui em baixo. Só o publiquei agora porque não representa mais nada para mim. Tornou-se um texto que deve ser lido. A pessoa a qual eu escrevi nunca soube de sua existência, e acredito que continuará a não saber... risos... Porém, era um texto, dos milhares que tive em meu PC, com senha. Sempre que coloco senhas em meus textos, elas são superficiais e fáceis de esquecer, porque ao escrever eu extrapolo este sentimento que me angustia e é como se eu conseguisse minimizá-lo. A senha é colocada, então, para que ninguém possa ter acesso a ele, inclusive eu mesma, uma vez que já terei a esquecido. Este jogo bobo foi feito porque muitas vezes desejei não desejar sentir aquele sentimento arquivado em word novamente. E ao lê-lo dou-lhe vida. Foi o que aconteceu com este aí (que só sobreviveu ao delete porque lembrei da senha), tem uma vida, no entanto, uma nova vida. Não mais depressiva e deprimente como foi à época.
Escrevo também por ter sido, há poucos minutos atrás, testemunha de um grande passo dado por uma amiga. Pediu divórcio de um casamento acabado há tempos. A relutância dela sempre foi desejar não desejar este divórcio, mas quando conseguiu concretizá-lo sua reação foi: "Pior é que eu acho que estou bem...o duro foi o dizer pra ele...tudo me leva a isso, como eu sou bunda mole...já era pra ter feito isso(...)"
Escrevo também porque estou com inúmeros polígrafos em volta, os quais preciso ler e entender para a preparação de uma seleção de mestrado. Desejo não desejar deixar de ler, no entanto, isso sempre acaba acontecendo. Neste exato momento, por exemplo, devia não estar escrevendo e sim lendo-os.
Fazer o quê? Não sei. Realmente não sei. Apenas vou fazendo à medida que sou. Assim, acredito que agimos e pensamos todos nós, nao é?
domingo, 15 de agosto de 2010

Enquanto finges que dormes, finjo que te amo, finjo que te quero, finjo que te desejo. Finjo porque meu corpo não consegue esconder a dor de saber perder-te. Sua distância em sua presença é pior que a ausência. Dor de não ser desejada... sinto-me de novo uma mulher vazia, sem nada além de defeitos. Tirasse-me de um caos, mostrasse-me o quão se pode ser feliz e ao caos me devolves... o que mais dói é saber que você não tem sequer noção do que esta fazendo.
Há muito tempo não tinha o desejo de descobrir defeitos e odores de alguém, você aparece todo imperfeito, se encaixando perfeitamente ao espaço que me faltava e que sequer imaginava que existia.
Queria saber onde errei... talvez em me permitir ser eu... mostrei-te o meu lado mais seguro. Não quis ser uma mulher apenas, quis ser alguém, alguém que tem micose nos pés, cabelos estranhos e um corpo que afasta... mostrei-te um ronco, um chulé, uma porção de cremes que iludem a beleza industrializada. Me inibis na musica, fico muda; encantada, no entanto, assim como Ulisses diante ao canto das sereias, busco uma salvação pra não me deixar levar- ser fiel ao meu destino...se é que eu sei qual é. Vivo-o apenas, e hoje você faz parte dele. Até quando? Quero não pensar no futuro e viver o presente, mas me vejo ridícula agora... tento ser a aventureira que me lembrasse ser na primeira semana que vivemos juntos, no entanto, já não tens paciência pra mim...
Ia ser tão mais fácil se eu conseguisse me envolver com outras pessoas, entregar meu corpo a qualquer outro cara, que espero não ter nome, risada, história, olhar, para assim não correr o risco de tentar te achar nele...
Aff...o que é isso?
Deixe-me, deixe-me, deixe-me apenas sentir-te e não me deixe...não me deixe, não me deixe...
Há muito tempo não tinha o desejo de descobrir defeitos e odores de alguém, você aparece todo imperfeito, se encaixando perfeitamente ao espaço que me faltava e que sequer imaginava que existia.
Queria saber onde errei... talvez em me permitir ser eu... mostrei-te o meu lado mais seguro. Não quis ser uma mulher apenas, quis ser alguém, alguém que tem micose nos pés, cabelos estranhos e um corpo que afasta... mostrei-te um ronco, um chulé, uma porção de cremes que iludem a beleza industrializada. Me inibis na musica, fico muda; encantada, no entanto, assim como Ulisses diante ao canto das sereias, busco uma salvação pra não me deixar levar- ser fiel ao meu destino...se é que eu sei qual é. Vivo-o apenas, e hoje você faz parte dele. Até quando? Quero não pensar no futuro e viver o presente, mas me vejo ridícula agora... tento ser a aventureira que me lembrasse ser na primeira semana que vivemos juntos, no entanto, já não tens paciência pra mim...
Ia ser tão mais fácil se eu conseguisse me envolver com outras pessoas, entregar meu corpo a qualquer outro cara, que espero não ter nome, risada, história, olhar, para assim não correr o risco de tentar te achar nele...
Aff...o que é isso?
Deixe-me, deixe-me, deixe-me apenas sentir-te e não me deixe...não me deixe, não me deixe...
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Palavras,
assustam, enfeitiçam, aproximam e afastam.
Nunca soube usá-las.
Já me trairam inúmeras vezes.
Por ter a profissão de professora, sou cobrada pelo seu uso correto e adequado.
No entanto, não consigo usar uma máscara para ser professora, para ser amiga, para ser filha, irmã, amante, mulher. Sou assim.
Hoje uma amiga me disse algo que já sabia, mas não queria acreditar.
"Renata, tu lida com teus sentimentos, da mesma forma que lidas com teu profissional."
Não sei dividir-me ou me aceitar em mil. Sou una, sou assim, e nao gosto de o ser.
Acho um grande defeito não saber me adequar às situações e pessoas.
Publico esse desabafo esperando que amigos, principalmente vocês, ao lerem, entendam o porquê de meu agir tão insensato.
Quero desculpar-me pelas incoerências com vocês, comigo mesma e com a gente.
Amo e necessito estar e ser aceita por vocês, e principalmente, por mim.

Por que sismas em me seguir?
Já disse tantas vezes que não te quero.
Incomodas, importunas, preocupas.
Prefiro o outro. Aquele que tenho sempre e tão fácil.
Mas, quando você chega, ele se afasta.
Deixa-me mal, cansada e insatisfeita.
Vai, insônia, vá para longe de mim.
Deixe o sono, meu desejado e querido, vir me abraçar.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
nem tudo é devaneio...
Caríssimos amigos e amigas
Venho por meio deste, comunicar a todos que a vida, esta vida a qual nos vangloriamos tanto de possuir, não é nossa. E sim, nós somos dela!! Os pores do sol, assim como os nasceres nos mostram o quão curto e simples é o ato de viver.
Domingo passado combinei com um amigo de mostrar-lhe a Lagoa Mirim, Capilha. Porém, como a grande maioria sabe, eu só possuo uma Turuna 83, o que provavelmente iria nos deixar no meio do caminho. Bom, consegui uma BIZ emprestada com uma amiga. E aí começou meu martírio, ela ficou de me dar a moto no sábado à noite, quando nós duas íamos sair juntas. Porém, cerca das 21horas me mandou mensagem dizendo que não ia mais. E que era pra eu pegar no domingo pela manha. Bom, domingo esperei meu amigo chegar, e antes de sairmos, minha mãe _ sempre elas, né _ perguntou se ele tinha habilitação pra carro, disse que tinha, mas que não estava com ele, e ela disse a mim para que eu fosse na minha moto. Bom, claro que não a ouvimos _sempre os filhos, né_ e fomos buscar a moto de minha amiga. Esperei um pouco até a moto chegar na casa dela _ a irmã mais velha havia saído nela_ e viemos embora. Abasteci e o frentista _Lizandro_ disse que era pouco. Lá vou eu atrás de garrafas pra levar. Finalmente às 10:22 saímos em direção a Capilha. Ia a uma média de 90 a 100kmh. Íamos por hora rindo e por hora em silêncio. Ficava imaginando como seria lá, se estaria ventoso, se continuaria com o sol que estava nos abençoando na estrada.
Bom, em certo ponto, lembro-me de pensar que deveria ter enchido os pneus, mas como já havia percorrido alguns quilômetros, segui sempre e neste mesmo momento meu pensamento foi vencido por eu ver um rebanho de vacas amarelas... risos... meu amigo disse que falava muito e eu disse que ia brincar com ele de vaca amarela: resposta dele eu só conheço vaca preta e branca, não amarela... expliquei a brincadeira antes e neste dia mostrei as vacas amarelas a ele. Seguimos, até que um momento, a roda traseira da BIZ começou a rodar em ziguezague... isto é, perdi o controle e ...e... e... não me lembro de mais nada. Acordei quando estava na ambulância, me disseram que meu amigo estava bem e indo em outra ambulância atrás. Reconheci Elvis, calma eu não to radiando, ainda.... Não é o Presley... o Elvis que foi meu aluno e da Tati no Bengalez.. Foi ele que me socorreu na ambulância. Pedi que não ligassem a minha família e acho que meu pedido foi mandado por telepatia para meu amigo que me disse a mesma coisa_ não quis ligar pra sua casa e deixar pra ver o que você resolve. Isso por que há dois atrás tinha sido minha irmã mais nova a se acidentar também de moto, numa das esquinas da Colombo. Bom, ambas tivemos sorte. Minha irmã, sábado sofreu em minhas mãos, por eu debochar que conseguia fazer alongamento e ela não. Não preciso dizer a vocês qual foi a primeira coisa que ela fez quando cheguei em casa né?
Voltando, no caminho do hospital pedi para que Elvis ligasse para a Tati, que foi lá em casa saber como a mãe estava. E a mãe disse a ela: "tô bem, com pressão alta porque a Renata ia pegar uma moto emprestada pra ir até a Capilha." Claro que a Tati não falou nada a ela também. Bom, no hospital, depois de medicada, liguei pra mãe, finalmente e disse o que tinha ocorrido. Pedi que me mandasse uma roupa, já que a minha estava toda rasgada. Minha irmã chegou lá e nesta hora meu amigo já estava quase de alta. Quando liberaram ele, pedi que me liberassem também e o médico disse: se conseguires ficar sentada, sem vomitar e sem falar asneiras estás liberada. Minha irmã Débora e a Tati disseram pra ele na hora: mas este é o normal dela.... falar asneira... estava bem acompanhada né...bom, fui liberada no mesmo momento de meu amigo.Vim para casa de minha irmã, onde permaneci algumas horas, pós vim pra casa, onde encontrei com quase todas as minhas tias e tios, juntos... e depois pedi para deitar. Estava com ordens médicas de ser acordada de duas em duas horas... a Tati cumpriu direitinho esta ordem me ligando em um momento falando algo que eu não soube responder...(em consideração as crianças que podem ter acesso a este texto, não irei dizer o que era- que ela me disse depois). Os outros momentos da noite que acordei vi minha mãe deitada ao meu lado. Não sei qual o limite de amor materno. Que mulher! Que orgulho de carregar seu sangue em minhas veias, e atualmente um pouco fora de mim, nas feridas...Meu pai também sempre presente, porém não tão atuante, uma vez que sente-se reprimido pela minha situação de frágil, a qual nem ele, nem eu estamos acostumados.
Domingo a noite antes de dormir ainda recebi a visita e assistência de Maria e Tati...amigas de muito sangue frio e que mostraram que seu amor por mim não tem limites. É nestas horas, talvez, que sabemos reconhecer: claro que não. Sei muito bem valorizar a Alice, minha amigona que está com medo de me ver da forma a qual estou, além de ter inúmeras outras pessoas que não sabem de minha situação passional...
Preciso dizer que este texto teve origem primeiramente para eu ler apenas. Isso porque uma amiga me abriu os olhos diante da vagacidade de minha vida a mim mesma. Fiquei o tempo todo preocupada com meu amigo. Com sua vida, com quem ia lhe cuidar, quem iria fazer os curativos dele, como que ele não teria um dia ao menos de atestado, será que ele ainda estaria disposto, posteriormente, a enfrentar outra estrada comigo: esse pensamento nele foi demasiado apenas porque eu não pensei em mim. Eu não havia parado pra pensar que minha vida tinha quase ido naquele momento. Talvez por eu ter ficado desacordada e não lembrar de muitas dessas coisas. Não que eu não pense mais nele, penso e muito, afinal é um marco na nossa história..
Porém, ontem de manha- segunda – recebi a visita de um cara que diz ter salvado a minha vida. Ele disse que tinha tirado meu capacete a tempo de eu não ser sufocada, o que estava quase acontecendo. O capacete não facilitou a sua saída de meu corpo, e desta forma dificultou a minha respiração. Disse-me ele que falou o tempo todo comigo pra não me deixar dormir, porém eu não lembro disso. Só acordei na ambulância.
É neste ponto que paro pra pensar na fragilidade disso que chamamos de vida. Eu podia ter morrido se ficasse dois minutos a mais com o capacete, e, no entanto to aqui hoje, deitada com o notebook na mão esperando as cicatrizes da pele sararem pra seguir viagem por este caminho que sabe-se lá onde vai parar. Sabendo que as cicatrizes da alma, estas não têm mais salvação, ou ao menos elas se fazem necessárias para o meu seguir.
Queria dizer meus amigos, que se eu soubesse que iria morrer naquele dia, eu não sei se deixaria de fazer algo, a não ser levar meu amigo. Acredito que a vida tem de ser perdida enquanto se vive, e não “sentada cheia de dentes, esperando a morte chegar...” por isso minha mensagem neste momento para vocês, é a seguinte. Estão preparados para depararem com um pneu estourado na faixa: caso isso ocorra, ficaria algo que queriam ter feito, mas faltou tempo, ou mesmo coragem.... viva, meu caro, e não tenha vergonha nunca de ser feliz.
Venho por meio deste, comunicar a todos que a vida, esta vida a qual nos vangloriamos tanto de possuir, não é nossa. E sim, nós somos dela!! Os pores do sol, assim como os nasceres nos mostram o quão curto e simples é o ato de viver.
Domingo passado combinei com um amigo de mostrar-lhe a Lagoa Mirim, Capilha. Porém, como a grande maioria sabe, eu só possuo uma Turuna 83, o que provavelmente iria nos deixar no meio do caminho. Bom, consegui uma BIZ emprestada com uma amiga. E aí começou meu martírio, ela ficou de me dar a moto no sábado à noite, quando nós duas íamos sair juntas. Porém, cerca das 21horas me mandou mensagem dizendo que não ia mais. E que era pra eu pegar no domingo pela manha. Bom, domingo esperei meu amigo chegar, e antes de sairmos, minha mãe _ sempre elas, né _ perguntou se ele tinha habilitação pra carro, disse que tinha, mas que não estava com ele, e ela disse a mim para que eu fosse na minha moto. Bom, claro que não a ouvimos _sempre os filhos, né_ e fomos buscar a moto de minha amiga. Esperei um pouco até a moto chegar na casa dela _ a irmã mais velha havia saído nela_ e viemos embora. Abasteci e o frentista _Lizandro_ disse que era pouco. Lá vou eu atrás de garrafas pra levar. Finalmente às 10:22 saímos em direção a Capilha. Ia a uma média de 90 a 100kmh. Íamos por hora rindo e por hora em silêncio. Ficava imaginando como seria lá, se estaria ventoso, se continuaria com o sol que estava nos abençoando na estrada.
Bom, em certo ponto, lembro-me de pensar que deveria ter enchido os pneus, mas como já havia percorrido alguns quilômetros, segui sempre e neste mesmo momento meu pensamento foi vencido por eu ver um rebanho de vacas amarelas... risos... meu amigo disse que falava muito e eu disse que ia brincar com ele de vaca amarela: resposta dele eu só conheço vaca preta e branca, não amarela... expliquei a brincadeira antes e neste dia mostrei as vacas amarelas a ele. Seguimos, até que um momento, a roda traseira da BIZ começou a rodar em ziguezague... isto é, perdi o controle e ...e... e... não me lembro de mais nada. Acordei quando estava na ambulância, me disseram que meu amigo estava bem e indo em outra ambulância atrás. Reconheci Elvis, calma eu não to radiando, ainda.... Não é o Presley... o Elvis que foi meu aluno e da Tati no Bengalez.. Foi ele que me socorreu na ambulância. Pedi que não ligassem a minha família e acho que meu pedido foi mandado por telepatia para meu amigo que me disse a mesma coisa_ não quis ligar pra sua casa e deixar pra ver o que você resolve. Isso por que há dois atrás tinha sido minha irmã mais nova a se acidentar também de moto, numa das esquinas da Colombo. Bom, ambas tivemos sorte. Minha irmã, sábado sofreu em minhas mãos, por eu debochar que conseguia fazer alongamento e ela não. Não preciso dizer a vocês qual foi a primeira coisa que ela fez quando cheguei em casa né?
Voltando, no caminho do hospital pedi para que Elvis ligasse para a Tati, que foi lá em casa saber como a mãe estava. E a mãe disse a ela: "tô bem, com pressão alta porque a Renata ia pegar uma moto emprestada pra ir até a Capilha." Claro que a Tati não falou nada a ela também. Bom, no hospital, depois de medicada, liguei pra mãe, finalmente e disse o que tinha ocorrido. Pedi que me mandasse uma roupa, já que a minha estava toda rasgada. Minha irmã chegou lá e nesta hora meu amigo já estava quase de alta. Quando liberaram ele, pedi que me liberassem também e o médico disse: se conseguires ficar sentada, sem vomitar e sem falar asneiras estás liberada. Minha irmã Débora e a Tati disseram pra ele na hora: mas este é o normal dela.... falar asneira... estava bem acompanhada né...bom, fui liberada no mesmo momento de meu amigo.Vim para casa de minha irmã, onde permaneci algumas horas, pós vim pra casa, onde encontrei com quase todas as minhas tias e tios, juntos... e depois pedi para deitar. Estava com ordens médicas de ser acordada de duas em duas horas... a Tati cumpriu direitinho esta ordem me ligando em um momento falando algo que eu não soube responder...(em consideração as crianças que podem ter acesso a este texto, não irei dizer o que era- que ela me disse depois). Os outros momentos da noite que acordei vi minha mãe deitada ao meu lado. Não sei qual o limite de amor materno. Que mulher! Que orgulho de carregar seu sangue em minhas veias, e atualmente um pouco fora de mim, nas feridas...Meu pai também sempre presente, porém não tão atuante, uma vez que sente-se reprimido pela minha situação de frágil, a qual nem ele, nem eu estamos acostumados.
Domingo a noite antes de dormir ainda recebi a visita e assistência de Maria e Tati...amigas de muito sangue frio e que mostraram que seu amor por mim não tem limites. É nestas horas, talvez, que sabemos reconhecer: claro que não. Sei muito bem valorizar a Alice, minha amigona que está com medo de me ver da forma a qual estou, além de ter inúmeras outras pessoas que não sabem de minha situação passional...
Preciso dizer que este texto teve origem primeiramente para eu ler apenas. Isso porque uma amiga me abriu os olhos diante da vagacidade de minha vida a mim mesma. Fiquei o tempo todo preocupada com meu amigo. Com sua vida, com quem ia lhe cuidar, quem iria fazer os curativos dele, como que ele não teria um dia ao menos de atestado, será que ele ainda estaria disposto, posteriormente, a enfrentar outra estrada comigo: esse pensamento nele foi demasiado apenas porque eu não pensei em mim. Eu não havia parado pra pensar que minha vida tinha quase ido naquele momento. Talvez por eu ter ficado desacordada e não lembrar de muitas dessas coisas. Não que eu não pense mais nele, penso e muito, afinal é um marco na nossa história..
Porém, ontem de manha- segunda – recebi a visita de um cara que diz ter salvado a minha vida. Ele disse que tinha tirado meu capacete a tempo de eu não ser sufocada, o que estava quase acontecendo. O capacete não facilitou a sua saída de meu corpo, e desta forma dificultou a minha respiração. Disse-me ele que falou o tempo todo comigo pra não me deixar dormir, porém eu não lembro disso. Só acordei na ambulância.
É neste ponto que paro pra pensar na fragilidade disso que chamamos de vida. Eu podia ter morrido se ficasse dois minutos a mais com o capacete, e, no entanto to aqui hoje, deitada com o notebook na mão esperando as cicatrizes da pele sararem pra seguir viagem por este caminho que sabe-se lá onde vai parar. Sabendo que as cicatrizes da alma, estas não têm mais salvação, ou ao menos elas se fazem necessárias para o meu seguir.
Queria dizer meus amigos, que se eu soubesse que iria morrer naquele dia, eu não sei se deixaria de fazer algo, a não ser levar meu amigo. Acredito que a vida tem de ser perdida enquanto se vive, e não “sentada cheia de dentes, esperando a morte chegar...” por isso minha mensagem neste momento para vocês, é a seguinte. Estão preparados para depararem com um pneu estourado na faixa: caso isso ocorra, ficaria algo que queriam ter feito, mas faltou tempo, ou mesmo coragem.... viva, meu caro, e não tenha vergonha nunca de ser feliz.
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